Comer em Luanda ao longo dos tempos: Uma breve reflexão

No passado dia 25 de Janeiro Luanda completou 446 anos desde a sua fundação; é das mais antigas cidades coloniais no continente africano. Como é hábito nesta data, as redes sociais ficaram inundadas de fotos da Marginal, provavelmente o cartão postal mais famoso da cidade. Nós fizemos algo um pouco diferente: falamos sobre o que faz de Luanda um lugar único pra se comer.

Temos a certeza que a maior contribuição de Luanda ao mundo gastronómico é o mufete, e o melhor lugar para comer mufete é o bairro da Chicala, provavelmente a maior, concentração de restaurantes e barracas na cidade. A Barraca da Dona Gilda, da Tia Vivi, da Blandini, o Criper, são apenas alguns lugares que se destacam, pois não sabemos ao certo o número exato de lugares que servem mufete neste bairro. Fora da Chicala, há outros lugares únicos que servem mufete: as Barracas da Praia Amélia, as Barracas do Panguila, e restaurantes como o Peixe do Cabo.

Mas o mufete é só uma parte da nossa história gastronómica.

Luanda é mais populosa capital lusófona no mundo e a 3ª maior cidade onde se fala português (depois de São Paulo e Rio de Janeiro). Não é de estranhar que a influência da gastronomia portuguesa na restauração luandense é histórica, e vários dos restaurantes mais icónicos e antigos da cidade – lugares como o Pimm’s, o Tambarino, o Embaixador, o São João, o Embarcad’ouro, o Veneza e o Convés, só para citar alguns – mantêm esta tradição.

Há restaurantes, botecos, barracas e quintas por toda cidade e arredores, mas há áreas com maior foco destes espaços. Falamos, claro, da Ilha do Cabo. Para muitos, a Ilha continua a ser o ex-líbris da restauração na cidade, com uma enorme variedade de restaurantes e bares. Desde a ponta da Chicala passando pela enorme aglomeração da Casa dos Desportistas até ao Café del Mar na outra ponta, é aqui onde muitos Kaluandas comem e bebem.

Luanda é também conhecida pelos seus inúmeros quintais, muitos com nome e outros com um simples sinal a dizer “Há sopa e almoço”, onde milhares de nós almoçamos todos os dias. As diversidades, desigualdades e disparidades da nossa cidade capital refletem-se na cada vez mais crescente variedade da nossa oferta gastronómica e dos nossos restaurantes. E agora, assistimos a uma nova vaga de conceitos, estilos e sabores.

Luanda hoje é uma cidade cosmopolita que mantém uma forte ligação ao seu passado secular, e a sua restauração reflete isso. Podemos almoçar sushi e jantar Mahberawi etíope; no dia seguinte podemos explorar comida indiana e street food tailandês, ou um pho vietnamita e tacos mexicanos. Podemos sempre comer funge de peito alto durante a semana, encomendar comida libanesa pela app de entregas da nossa preferência…

Ou simplesmente desmontar um bega na roulotte.

Parabéns Luanda!

*Com fotos de Allicia Santos

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